Desculpas Esfarrapadas

“Mas eles começaram, um por um, a apresentar desculpas.” Lucas 14.18

 

Sempre fui muito organizado. Daqueles que fazem listas, cronogramas, planos. Tudo isso na tentativa de colocar um pouco de ordem na minha rotina. Porém, à medida que faço o exercício de me organizar, as demandas e as preocupações da vida surgem com a intenção de dominar minha agenda e de preenchê-la com toda sorte de compromissos desnecessários.

Dessa forma, vejo-me gastando horas lendo e comentando nas publicações das redes sociais, em contrapartida não consigo dedicar uma hora na companhia de um bom livro. Mas se alguém me questiona sobre o desperdício de tempo gasto no Facebook, busco logo uma boa argumentação: “preciso me manter informado”; “aqueles posts eram extremamente importantes”; “trabalho muito e dar uma olhadinha no Face me ajuda a relaxar”. É nesse momento que caio nas desculpas.

A parábola da grande ceia está repleta dessas desculpas. Em Lucas 14.15-24, Jesus conta a história de um homem que preparou um grande banquete, com toda pompa e fartura próprias da ocasião. Para melhor compreensão da importância e da ostentação desse evento, na versão do Evangelho de Mateus (Mt 22.1-14), afirma-se que o homem era um rei que preparou a festa de casamento do seu filho. Pense por um instante nessa cena. Não era qualquer “boca livre” nem tampouco um mero jantarzinho. Era uma grande e luxuosa ceia, a qual não acontecia todos os dias nem se podia recusar.

Após deixar tudo pronto, o anfitrião enviou um servo para avisar seus convidados para que comparecessem ao banquete. Contudo, estes, um por um, não deram a menor atenção e declinaram do convite alegando outros compromissos em suas agendas. Verdadeiras desculpas esfarrapadas.

Ao ler a parábola, identifico-me com aqueles convidados, apresentando desculpas por não fazer aquilo que realmente importa. Deixo o supérfluo ocupar o lugar do essencial em minha agenda e, assim, sempre tenho na ponta da língua as desculpas “minha agenda está lotada” ou “estou muito ocupado”. Porém o que acabo não percebendo é que, na verdade, estou trocando o banquete pelas migalhas. Troco a companhia do rei pela caminhada solitária.

O reino de Deus é o lugar de pessoas sem desculpas esfarrapadas. Pessoas que não trocam estar na presença do Rei por nada neste mundo. Pessoas que não permitem que suas agendas particulares sejam mais importantes do que a agenda do Reino. Pessoas que, como Paulo, afirmam: “considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus” (Filipenses 3.8). Pessoas que abrem suas moradas para o Cristo que está à porta e, com Ele, desfrutam de uma alegre ceia à mesa.